sábado, 7 de setembro de 2013

Oficina das Plantas, em Setembro


A Medicina é uma arte. É a Natureza que age na cura, a arte apenas ajuda e não cura, senão através da Natureza. Hipócrates, séc. V a.C.



“Temperar a Saúde com Ervas”
Programa do workshop:
   Breve introdução às plantas aromáticas e medicinais, fitoterapia e medicina popular, usos tradicionais e científicos, benefícios e formas de utilização, em fitoterapia e na cozinha
   Plantas abordadas que poderá ver, sentir e cheirar: Salsa, Coentro, Orégão, Louro, Hortelã-pimenta, Tomilho, Cominho e Funcho
   No final, poderá degustar algumas das plantas em infusão ou numa deliciosa salada para quem quiser almoçar



Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319
 



terça-feira, 13 de novembro de 2012

À ANA NO DIA DO ANAVERSÁRIO


Havia uma flor!
Nem eu sabia
onde é que a flor havia,
Mas tanto fazia.

Talvez houvesse
onde ninguém soubesse
ou fosse uma flor de estar a haver
só na minha imaginação,
ou não fosse uma flor, fosse uma canção.

Nem a flor sabia
que existia.
Em qualquer sítio, sem saber, floria.
E se fosse uma canção cantava e não se ouvia.

E isso acontecia
no meu coração.
Não sei se era uma flor se uma melodia,
era qualquer coisa que havia
e cantava e floria
dentro de mim sem razão.

Ia pela rua e ninguém diria.
As pessoas passavam
e eu dizia:
«Bom dia!»
e ninguém suspeitava
o bom dia que fazia
em qualquer sítio
que dentro de mim havia!
Só eu sabia e sorria,
levando-te pela mão.

3/7/1980
Poema de Manuel António Pina, em O Têpluquê e Outras Histórias, Assírio & Alvim, Novembro 2006

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dente-de-leão - Um pouco da sua história

Dente-de-leão: As flores são liguladas e formam
um capítulo solitário, o pedúnculo é oco
Areosa / Viana do Castelo (Fevereiro de 2007)

Planta de flores amarelas completamente banal, feinha, confundindo-se, para quem não a conhece, com tantas outras que se lhe assemelham mas não o são, inconfundível e bela para quem a observa, o Dente-de-leão tem uma vasta distribuição por todo o mundo, e é uma verdadeira relíquia entre a flora medicinal. Versátil, muito útil e popular, é uma excelente planta para iniciar um tratamento, já que se trata de um dos mais eficazes desintoxicantes em botânica medicinal. Mas as suas virtudes não se ficam por aqui!

                                          O dente-de-leão
                                          Se pensas que eles são
                                          imóveis como as pedras,
                                          estás muito enganado.
                                          Olha um dente-de-leão,
                                          a aterrar de pára-quedas,
                                          acolá naquele prado!
                                                             Poema de Jorge Sousa Braga, em Herbário, Assírio & Alvim, Setembro 2009

Um pouco da sua história
O Dente-de-leão é uma planta nativa do hemisfério Norte, aclimatada na América do Sul, sendo espontânea em Portugal. Encontra-se com frequência em lugares húmidos, espaços arrelvados, jardins, campos cultivados, prados, hortas, terrenos baldios, beira dos caminhos e até entre as pedras das calçadas nas cidades.
É também conhecido por Taráxaco, Taraxaco, Coroa-de-monge, Amor-dos-homens, O-teu-pai-é-careca, Serralha, Frango, Quartilho, Bufas-de-lobo, tendo como nome botânico Taraxacum officinale Weber ex Wiggers (= Leontodon officinale With. = Leontodon taraxacum L. = Taraxacum officinale (With.) Wigg. = Taraxacum dens leonis Desf. = Taraxacum vulgare Schrank). Pertence à família das Asteraceae (Compositae).

Dente-de-leão, cabeça de sementes
Melgaço (Abril 2007)

O seu nome botânico, Taraxacum, deriva do árabe, tarakshaqum, que significa erva amarga. O nome popular Dente-de-leão parece ter origem no aspecto da planta: as suas folhas são profundamente dentadas e as flores amarelas assemelham-se a uma juba de leão. Quando se formam as sementes, surge uma penugem que voa facilmente com um sopro, expondo algo semelhante a uma cabeça rapada, o que explica a origem de um outro nome popular, Coroa-de-monge.
Se para a planta o facto das sementes serem dispersas facilmente pelo vento facilita a sua disseminação, para as pessoas constitui um motivo para inúmeras tradições, sempre relacionadas com o acto de soprar. O-teu-pai-é-careca, para além de ser um outro nome pelo qual é conhecida, é também um jogo infantil que nos diz se o pai da criança a quem se faz esta pergunta é careca ou não. Consultando-a como um oráculo podemos ficar a saber quantos anos faltam para o casamento de alguém, se o casamento vai ser feliz, quantos filhos vai ter, quantos mais anos vai viver, etc. Consultando-a como um barómetro podemos ainda ficar a saber se vai chover. Para tudo isto basta apenas soprar. E interpretar os resultados, claro!
Em francês é conhecida pelo curioso nome de Pissenlit que, para quem não sabe, significa literalmente urinar na cama, numa alusão à sua actividade diurética.

A utilização medicinal do Dente-de-leão é muito antiga. O uso das folhas, como diurético, é muito anterior ao das raízes, boas para o fígado. Muito elogiado pelos antigos médicos árabes Rhazes e Avicena, nos séculos X e XI, foi também recomendado no herbário da escola de Myddfai, no País de Gales, no século XIII e referido em todos os bons tratados de botânica médica da Idade Média. No século XVI, Bock, importante botânico alemão, considerava-o um diurético, e Tabernaemontanus, médico e naturalista alemão, seu discípulo, considerava-o um vulnerário. Posteriormente o seu prestígio como erva medicinal parece ter decaído, mas no início do século XX o reconhecimento das suas propriedades medicinais foi tal que qualquer tratamento em que era utilizado se chamava taraxoterapia.

As flores de Dente-de-leão são melíferas
e as folhas são aprecidas pelos herbívoros
CM 1159 - Daroeiras / Entrada da Barca,
Odemira (Fevereiro de 2006)

O Dente-de-leão é também usado como alimento. As folhas tenras, colhidas na Primavera, são muito nutritivas e boas para saladas. Com elas pode-se fazer sopa e, depois de cozidas e reduzidas a puré, servem de acompanhamento. Os botões florais também são comestíveis e podem ser cozinhados como a Alcaparra.
As raízes de plantas com 2 ou 3 anos, secas, moídas e tostadas são utilizadas em substituição do café - à semelhança da Chicória-, beneficiando o fígado e a vesícula, aumentando a vitalidade e melhorando a concentração mental.
As flores são usadas para fazer vinho e bebidas alcoólicas fortes.
O Dente-de-leão encontra-se registado como aromatizante natural no Conselho Europeu.

Dente-de-leão, raízes e folhas

O Dente-de-leão cresce um pouco por todo o lado, ao longo de todo o ano
As suas folhas são em roseta basilar
R. Manuel Fiuza Júnior, Viana do Castelo (Janeiro 2008)

Parte utilizada
Raízes e folhas (partes aéreas), secas ou frescas (mais activas). As raízes deverão ser de plantas com dois ou três anos. O látex também é usado.


Composição
Em fitoterapia, os efeitos terapêuticos de uma planta resultam da sinergia dos seus constituintes. No entanto, a investigação realça os constituintes amargos (lactonas sesquiterpénicas, taraxacósido), compostos fenólicos (flavonóides e ácidos fenólicos), triterpenos e esteróis (fitosteróis e carotenóides), inulina e mucilagem, e potássio. São ainda de referir a pectina, os ácidos gordos (linoleico, linolénico, oleico e palmítico), aminoácidos (asparagina, tirosina), vitaminas (A, B1, B2, colina, C, D) e outros sais minerais (cálcio, ferro, silício, magnésio, sódio, zinco, manganésio, cobre, fósforo).

As raízes apresentam maior quantidade de constituintes amargos do que as folhas. As folhas são mais ricas em sais minerais do que as raízes.

Acções medicinais
Uso interno
Planta metabólica, actua em todo o aparelho digestivo e suas glândulas, estimulando e melhorando todo o metabolismo. Amarga, estimula a secreção de saliva e de suco gástrico, aumentando o apetite e favorecendo a digestão (tónico amargo digestivo). Colerética e colagoga, estimula a secreção de bílis pelo fígado e a sua evacuação da vesícula biliar para o duodeno, favorecendo a digestão das gorduras. Desintoxica, descongestiona e tonifica o fígado. Previne e facilita a dissolução de cálculos na vesícula biliar. Favorece o pâncreas endócrino, estabilizando os níveis de açúcar no sangue e prevenindo as suas flutuações. Depurativa, tem acção diurética, laxativa e sudorífica. A actividade diurética é dependente da dose, comparável a furosemida (Lasix), e ocorre sem perda de potássio. Ao aumentar a eliminação de líquidos contribui ainda para a perda de peso. Desintoxica e tonifica os rins. Previne e facilita a dissolução de cálculos renais e vesicais. Anti-reumática. Anti-inflamatória e protectora do tecido conjuntivo. Febrífuga e antiescorbútica.
As raízes têm maior actividade sobre o fígado e vesícula e as folhas como diurético.
Uso externo
Protectora, suavizante e estimulante sobre o tecido cutâneo.


Indicações terapêuticas
Uso interno
Como aperitivo na perda de apetite e anorexia. Como digestivo na dispepsia (enfartamento, flatulência, digestões lentas). Afecções hepáticas (sensibilidade à comida, mau funcionamento do fígado, fígado gordo, icterícia, hepatite, congestão hepática, insuficiência hepática). Afecções da vesícula e canais biliares (inflamação da vesícula e/ou das vias biliares, cálculos na vesícula, alterações do fluxo biliar). Excesso de colesterol, hemorróidas. Diabetes. Na desintoxicação geral do organismo, quando há infecções recorrentes, alergias, e especialmente, em tratamentos de fundo nas afecções da pele (acne, furúnculos, eczema, psoríase). Como diurético (limpeza das vias urinárias, edemas, hidropesia, prostatismo, obesidade acompanhada de retenção de líquidos, síndrome pré-menstrual, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, gota). Afecções dos rins, bexiga e vias urinárias (cálculos renais e vesicais, infecções urinárias, sífilis). Reumatismo. Obstipação. Como anti-inflamatório na colite, aliviando a dor, obstipação e diarreia.
Uso externo
Como suavizante da pele, para eliminar pontos negros e nas peles envelhecidas. Na remoção de calos e verrugas.


Pormenor das folhas de Dente-de-leão
Melgaço (Abril 2007)

Como tomar
Uso interno

Cozimento das raízes e/ou folhas: 1 a 2 colheres de chá por chávena de água, 3 minutos de fervura. Tomar 3 chávenas por dia, antes das refeições. Esta tisana pode ser precedida de uma maceração de 15 a 30 minutos.
Infusão das raízes e/ou folhas: 1 a 2 colheres de chá por chávena de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 3 chávenas por dia, antes das refeições.
Fazer tratamentos durante pelo menos quatro a seis semanas. Em tratamentos prolongados podem fazer-se 9 dias de tratamento seguidos de três dias de descanso.
Como aperitivo e como digestivo deve ser tomado na forma de tisana pois a sua acção deve-se ao sabor amargo que apresenta.
Como depurativo do sangue, na drenagem das vias urinárias e na sífilis pode ser associado à Chicória.
Nas afecções da pele pode ser associado à Bardana e à Equinácea.
Suco das folhas frescas: Tomar 2 a 3 colheres de sopa, uma vez por dia, durante 2 a 3 semanas. Para a extracção do suco, borrifar as folhas. O suco pode ser diluído em água.
Uso externo
Cozimento das raízes: 200 gramas por litro de água. Em banhos, lavagens e compressas.
Látex: Aplicar topicamente a parte inferior do talo da flor. Na remoção de calos e verrugas.

Receita: Salada com folhas de Dente-de-leão
           Folhas de Dente-de-leão
           Pétalas de Calêndula
           Flores de Borragem
Depois de lavar, colocar as folhas numa saladeira e enfeitar com as flores e as pétalas. Temperar a gosto.
Indicações: Na desintoxicação geral do organismo (cura primaveril).

Precauções
O Dente-de-leão é considerado de muito baixa toxicidade, podendo ser utilizado em tratamentos prolongados. No entanto, não se recomenda durante a gravidez e o aleitamento.
Contra-indicado na obstrução das vias biliares, sobretudo as raízes.
Pode causar hiperacidez e azia em pessoas sensíveis, devido ao seu conteúdo em constituintes amargos. Este efeito pode ser atenuado associando-se Alteia.
Pode provocar reacções alérgicas de contacto.
Devido à acção diurética, especialmente no caso das folhas, deve ter-se em atenção que pode causar descompensações em pessoas que tomam cardiotónicos ou sejam hipertensas.



Dente-de-leão, CM 1159 - Daroeiras / Entrada da Barca, Odemira (Fevereiro de 2006)

Observações
Em fitoterapia chinesa é utilizada uma planta aparentada, Pu Gong Ying, Taraxacum mongolicum, para eliminar calor e reduzir a toxicidade, sobretudo do fígado.

Sobre o Dente-de-leão, Taraxacum officinale Weber ex Wiggers, são ainda de referir as monografias da OMS (World Health Organization), planta inteira, ESCOP (European Scientific Cooperative on Phythoterapy), raízes e folhas, e Comissão E Alemã (da German Federal Office for Phytotherapeutic Substance), raízes e folhas.
É também utilizado em Homeopatia e em Terapia Floral (Florais da Califórnia).

Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Castanheiro-da-Índia - Um pouco da sua história

Castanheiro-da-Índia, Melgaço (Abril 2007)

 
Muito cultivado como planta ornamental, o Castanheiro-da-Índia embeleza as nossas cidades e vilas, onde o podemos observar em jardins, parques ou muito simplesmente ladeando ruas e avenidas.


Um pouco da sua história
Pertencente à família das Hippocastanaceae, o Castanheiro-da-Índia, Castanheiro-de-cavalo ou Falso-Castanheiro como também é referido, tem como nome botânico Aesculus hippocastanum L. (= Aesculus castanea Gilib. = Aesculus procera Salisb. = Castanea equinaHippocastanum vulgares Gaertner).
Nativo não da Índia mas dos bosques das montanhas do Sudeste da Europa (Balcãs e Cáucaso) e Ásia Menor, o Castanheiro-da-Índia foi importado de Constantinopla e introduzido em França no século XVII. Ao longo do século XVIII difundiu-se como planta ornamental por toda a Europa, onde alguns exemplares contam já com 250 anos de vida. Actualmente, encontra-se cultivado nas regiões temperadas de todo o mundo.
Trata-se de uma árvore de grande porte, que pode atingir os 25 m de altura e os 2000 anos de idade. As inflorescências apresentam flores brancas ou rosadas, muitas vezes salpicadas de amarelo, vermelho ou castanho, e, por serem muito odoríferas, são muito procuradas pelas abelhas.

O seu nome vernáculo, Castanheiro-de-cavalo (hippocastanum), deriva do facto de os turcos utilizarem as suas castanhas para tratar os cavalos com problemas respiratórios, o que, segundo os ervanários europeus, era muito útil.
As Castanhas-da-Índia podem ainda ser utilizadas para vários outros fins. Delas se extrai um óleo para iluminação, produz-se cola, sabão, ou um repelente para traças e outros insectos. Também se usam para afastar as minhocas dos vasos de flores. Não sendo comestíveis devido ao seu intenso sabor amargo (tóxico), são ricas em amido e apreciadas por cabras, porcos e alguns peixes.
A sua madeira é muito utilizada em marcenaria.

Pormenor das flores de Castanheiro-da-Índia, em forma de cone (panículas)
Est. de Sta. Luzia, Viana do Castelo (Abril 2007)

O Castanheiro-da-Índia foi registado documentalmente como planta medicinal em 1565, por Pier Andrea Mattioli, médico e botânico italiano do século XVI, na tradução da obra De Materia Medica de Dioscórides.
No início do século XVIII as suas sementes eram já utilizadas com fins terapêuticos em França. Após a investigação sistemática das suas propriedades curativas, foram publicados diversos trabalhos franceses entre 1896 e 1909, que relatam os bons resultados obtidos no tratamento das hemorróidas. As cascas também eram muito usadas como adstringente para o mesmo fim. E, para uso tópico no reumatismo, era extraído um óleo das sementes.
As folhas eram utilizadas para combater a tosse.

sábado, 9 de julho de 2011

Castanheiro-da-Índia, sementes

Os frutos de Castanheiro-da-Índia são verdes e espinhosos,
e contêm no máximo 3 sementes
Est. de Sta. Luzia, Viana do Castelo (Maio 2007)


Parte utilizada
Sementes. Actualmente utilizam-se sobretudo as sementes (Castanha-da-Índia), por possuírem teores mais elevados de saponósidos. Também têm sido utilizadas as cascas dos ramos novos, as folhas e as flores, embora a sua eficácia não esteja devidamente comprovada.

Composição
Em fitoterapia, os efeitos terapêuticos de uma planta resultam da sinergia dos seus constituintes. No entanto, a investigação realça os saponósidos triterpénicos (escina) e os heterósidos hidroxicumarínicos (esculósido). São ainda de referir os flavonóides, taninos, proantocianidinas, pectina, mucilagem, óleo gordo, amido em grande quantidade (40 a 50%), vitaminas B1 e K.

Acções medicinais
Uso interno
Adstringente, contrai os tecidos, os capilares e os orifícios, diminuindo as secreções das mucosas. Hemostática, detém as hemorragias favorecendo a coagulação do sangue. Vasoconstritora e venotónica, contrai os vasos sanguíneos e melhora a elasticidade e tonicidade das paredes venosas. Actua sobre os vasos do endométrio. Aumenta a resistência dos capilares e diminui a sua permeabilidade e fragilidade (acção vitamínica P). Contribui para a reabsorção dos edemas, reduzindo o inchaço (antiedematosa). Anti-inflamatória, actua na fase inicial da inflamação, inibindo a produção endógena de prostaglandinas inflamatórias e combatendo a formação do edema (antiexsudativa). Antitrombótica. Antioxidante.
Uso externo
Adstringente. Vasoconstritora e venotónica. Acção vitamínica P. Antiedematosa. Anti-inflamatória, antiexsudativa. Antitrombótica. Antioxidante e protectora solar. Ao beneficiar a circulação venosa e a circulação local, tem uma acção estimulante sobre as peles envelhecidas, tonificando e melhorando a elasticidade do tecido cutâneo, e inibindo a progressão de rugas, estrias e olheiras.
A farinha das sementes obtida por moagem torna a pele mais brilhante.

Indicações terapêuticas
Uso interno
Insuficiência venosa crónica dos membros inferiores (edema, dor, sensação de peso, fadiga ou tensão nas pernas, cãibras nocturnas nas barrigas das pernas, prurido) e outras afecções do sistema circulatório (flebites, varizes, hemorróidas, úlceras varicosas, tromboses, fragilidade capilar, frieiras). Pode ter um efeito preventivo ajudando a reduzir os riscos de flebites, por exemplo, em voos de longo curso. Na hemoptise e para reduzir o fluxo menstrual abundante. Hipertrofia da próstata.
Uso externo
Insuficiência venosa crónica dos membros inferiores e outras afecções do sistema circulatório. Celulite. Acne-rosácea. Feridas, cortes e arranhadelas. Dores musculares, nevralgias, lesões desportivas (tendinites, luxações). Peles sensíveis e peles envelhecidas (rugas, estrias, olheiras). Em bronzeadores e nas queimaduras solares.


Pormenor dos frutos de Castanheiro-da-Índia
Odemira (Julho 2006)

Como tomar
Uso interno
Normalmente, a Castanha-da-Índia não é utilizada em tisana mas sim em extractos (gotas, tónicos, cápsulas, comprimidos, etc.). É frequentemente associada a outras plantas de forma a potenciar a sua acção.
Na insuficiência venosa crónica o tratamento é seguro e eficaz, no entanto, por ser demorado deve ser feito durante vários meses para se obterem resultados visíveis. Pode ser associada à Gilbardeira, Hamamélia e Arnica, entre outras plantas. Pode ser benéfico associar outras medidas não invasivas como a compressão elástica (meias de descanso) ou tratamentos com água fria.
Na hipertrofia da próstata pode ser associada à Vara-de-ouro e às Malvas.
Os tratamentos prolongam-se por 3 meses, não devendo exceder os 6 meses.
Uso externo
Pode ser utilizada na forma de cozimento. No entanto, actualmente é mais utilizada em extractos (cremes, geles, bálsamos, etc.). É frequentemente associada a outras plantas de forma a potenciar a sua acção.
Na insuficiência venosa crónica e outras afecções do sistema circulatório a utilização tópica da planta é adjuvante do seu uso interno, pois é este que garante os níveis terapêuticos mais elevados da planta no organismo.

Receita: Emplastro de Castanhas-da-Índia
          q.b. Castanhas-da-Índia, consoante a área a tratar
Cozem-se as Castanhas-da-Índia num pouco de água durante 30 minutos. Retiram-se da água, descascam-se, esmagam-se e deixam-se arrefecer.
Indicações: Nas frieiras: aplicar topicamente e tapar com um penso, de preferência à noite.

Precauções
Não são conhecidas contra-indicações da utilização terapêutica da Castanha-da-Índia. No entanto deve evitar-se durante a gravidez, aleitamento e em crianças com idade inferior a 10 anos.
Deve ter-se em atenção que pode potenciar a medicação anticoagulante (devido aos heterósidos hidroxicumarínicos).
Os efeitos secundários são ligeiros e pouco frequentes. Devido aos taninos e aos saponósidos, pode causar alguma irritação no tracto gastrintestinal, náuseas ou desconforto gástrico, que desaparece em formas galénicas de libertação controlada. Foram ainda referidos prurido, dores de cabeça e vertigens.
Quando colhidas, as Castanhas-da-Índia não devem ser ingeridas por apresentarem uma certa toxicidade (que se manifesta através de náuseas violentas), sobretudo se não estiverem completamente maduras.
Formulações muito concentradas ou a utilização continuada da planta aumentam os riscos de sensibilização alérgica (eczema de contacto), nomeadamente em peles sensíveis.

Observações
São de referir as monografias da OMS (World Health Organization), sementes maduras secas de Aesculus hippocastanum L., ESCOP (European Scientific Cooperative on Phythoterapy) e Comissão E Alemã (da German Federal Office for Phytotherapeutic Substance).
O Castanheiro-da-Índia, bem como o Castanheiro-da-Índia-de-flores-vermelhas, Aesculus x carnea Hayne, são utilizados em Terapia Floral (Florais de Bach).

Pormenor das flores de Castanheiro-da-Índia-de-flores-vermelhas
Praça 1º de Maio, Viana do Castelo (Abril 2007)

Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.