terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tertúlias da Botica - Uva Passa


Foto: Gondoriz, Abril 2007
 
Nome botânico: Vitis vinifera L.
Família: Vitaceae.
Nomes populares: Cepa; Latada; Parreira; Vide; Videira; Videira-europeia; Videira-vermelha; Vinha-vermelha.
 
Originária da Ásia Menor, a Videira foi cultivada pela primeira vez no Cáucaso cerca de 6.000 anos a.C. Atualmente, a sua cultura encontra-se amplamente distribuída pelos países mediterrânicos e de clima temperado, sobretudo para a produção de vinho. Curiosamente, a utilização medicinal do vinho era já conhecida dos povos da Antiguidade, que o aplicavam como antissético sobre feridas – assim o refere Dioscórides, o célebre médico grego do século I.
Deste arbusto trepador, quase tudo é medicinal: as folhas, a seiva e as sementes, além das Uvas, que são um dos frutos mais medicinais que se conhecem e integram a nossa alimentação.
 
Foto: Ponte de Lima, Maio 2007
 
Como consumir
A Uva deve ser colhida madura. Pode ser consumida fresca ou em passa. As Uvas frescas devem apresentar-se intactas e sem enrugamentos ou manchas. Conservam-se poucos dias à temperatura ambiente, mas pode guardá-las no frigorífico para uma conservação mais prolongada. Devem ser lavadas apenas no momento de as consumir.
Sugestões:
•   Como fruta, ao natural, de preferência fora das refeições.
•   Em sumo (sem aditivos) ou em passas.
•   Uvas em passa com fruta fresca e pão: Um bom pequeno-almoço ou merenda.
•   Frescas ou secas, adicionadas às saladas de frutas ou de vegetais.
•   Em saladas frias de frango ou atum, tortilhas, ou pratos de aves, caça, peixe e frutos do mar.
•   Ingrediente do arroz árabe e do pão com passas.
•   Em bolos e tartes, compotas e geleias.
•   Em regime de monodieta (cura de Uvas): Comer 1-3 kg de Uvas, como único alimento, durante 3 dias, no mínimo. É a melhor forma de usufruir dos benefícios da Uva.
 
Foto: Ponte de Lima, Junho 2007
 
Receita medicinal
Uvas em passa com leite quente. Como peitoral, na tosse.
 
Receita medicinal
Cataplasmas com uma pasta de passas de Uva e mel: Aplicada sobre os furúnculos, favorece a sua maturação e rebentamento.
 
Precauções
Os diabéticos devem comer a Uva com muita moderação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
 
Oficina das Plantas em colaboração com Simbiose, Viana do Castelo
 
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tertúlias da Botica - A Noz


Foto: Nogueira, Ponte de Lima, Julho de 2007

Nome botânico: Juglans regia L.
Família: Juglandaceae.
 
A Nogueira, uma belíssima árvore que pode viver 200 a 300 anos, é originária da Pérsia. Tem uma história milenar com vestígios da sua utilização datados de mais de 8.000 anos. Foi muito cultivada pelos Gregos e era considerada sagrada pelos Romanos para quem simbolizava a fertilidade. Segundo a Teoria das Assinaturas de Paracelso, o famoso alquimista suíço do século XVI, a Noz seria boa para o cérebro pela analogia entre a sua forma e o cérebro humano.
A Noz é o fruto da Nogueira e, por extensão, a sua semente. É utilizada na alimentação, e integra a dietética da medicina tradicional chinesa. Em fitoterapia também são usadas as folhas e as cascas dos frutos (nogalina).
 
Como consumir
As nozes podem ser adquiridas com casca (o fruto) ou sem casca (a semente). Se adquirir o fruto, saiba que se chocalhar ao abanar, a noz pode já estar murcha; se adquirir a semente, esta deve estar estaladiça e não deve cheirar a ranço ou mofo. As nozes com casca conservam-se até um ano, mas o miolo deve ser consumido dentro de poucas semanas pois deteriora-se rapidamente em presença do ar, luz, calor ou humidade.
Pela energia que proporcionam, o seu consumo é mais indicado ao pequeno-almoço; pelo seu aporte em proteínas podem substituir os alimentos proteicos (como a carne). Mastigar bem. Demolhadas ou torradas aumenta a sua digestibilidade.
Sugestões:
•   Ao natural: 3 ou 4 nozes por dia.
•   Em papas de cereais com iogurte ou leite.
•   Integradas no pão (pão de nozes) ou em sanduíches.
•   Em saladas de vegetais.
•   Em molhos para pratos de carne ou peixe.
• Em pratos vegetarianos, em substituição dos alimentos proteicos (como a carne):  Croquetes, almondegas com flocos de Aveia.
•   Em omeletas.
•   Em bolos e doces, panquecas, crepes ou gelados.
•   O óleo de nozes, obtido por extração a frio das nozes prensadas, pode ser utilizado para temperar saladas ou outros pratos frios.
 
Foto: Nozes, Ponte de Lima, Julho 2007
 
Receita medicinal
O óleo de Noz pode ser usado como suavizante da pele e anti-inflamatório, nas queimaduras.
 
Receita culinária – Pesto de Nozes
Numa picadora coloque um raminho generoso de folhas frescas de manjericão, 2 ou 3 dentes de alho descascados, o miolo de 20 nozes e um pouco de azeite; se pretender, pode acrescentar sal, pimenta ou queijo parmesão ralado. Pressione até obter uma pasta cremosa. Adicione a pratos de massas, saladas de vegetais ou em sanduíches.
 
Oficina das Plantas em colaboração com Simbiose, Viana do Castelo
 
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ainda acerca do Figo...


Pintura: Wikimedia Commons
 
 
Lengalenga
 
Foge o figo da figueira
fica a figueira sem figo
 
fico eu sem as formigas
formigas do formigueiro
 
foge o figo da figueira
foge o fogo da fogueira
 
fico eu sem as farinhas
farinhas das farinheiras
 
foge o figo da figueira
fica a figueira sem figo
 
foge a faneca do forno
sem faneca é que eu não fico!
 
Poema de Maria Alberta Menéres, em Conversas com versos, ASA, 2005
 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Tertúlias da Botica - Figo Seco

Foto: Ponte de Lima, Junho 2007


Nome botânico: Ficus carica L.
Família: Moraceae.
Nomes populares: Bebereira; Figueira-da-Europa; Figueira-de-Baco; Figueira-mansa.
 
Delicioso, doce e suculento, o Figo é referido pelas suas virtudes medicinais desde há mais de 2700 anos. Um dos primeiros frutos a ser produzido pelos antepassados dos Sumérios na Babilónia foi, mais tarde reverenciado por Cleópatra; os atletas Gregos consumiam-no para refazer as suas forças e usavam-no como medalha pelos seus feitos olímpicos. A Figueira é uma planta bíblica: foi com as suas folhas que Adão e Eva se cobriram quando se aperceberam que estavam nus, e foi com uma cataplasma de Figos que o rei Ezequias, monarca do reino de Judá, sarou uma terrível chaga que o colocava em risco de vida. O Figo simboliza o princípio feminino (útero) e a fertilidade.
Originária da região mediterrânica, a Figueira é uma pequena árvore de folhas grandes e ásperas que cresce em regiões quentes e secas. As flores são diminutas e encontram-se reunidas em inflorescências encerradas num recetáculo com um pequeno orifício; após serem fecundadas por uma determinada espécie de inseto dão origem a um conjunto de pequenos frutos encerrados, o Figo, botanicamente designado por sícone (do grego, sykon, Figo). Na alimentação usam-se os frutos, em fitoterapia utiliza-se ainda o látex branco – leite ou lágrima da Figueira – que emana das folhas e ramos da árvore.
 
Foto: Perre, Viana do Castelo, Junho 2007
 
Como consumir
O Figo pode ser consumido fresco ou seco. Quando fresco, deve estar ligeiramente mole. Deve ser colhido maduro pois o látex que contém, cáustico, só desaparece com a plena maturação. É frágil, conserva-se por poucos dias, mesmo no frigorífico. O Figo seco, disponível todo o ano, conserva-se durante vários meses em local fresco e seco, sem perder qualidade. O aspeto branco decorre da perda de água, são os açúcares que vêm à superfície. Demolhar o Figo seco durante a noite aumenta a sua digestibilidade. Passar a faca por água quente antes de descascar o Figo, ajuda a que não fique pegajosa.
Sugestões:
•   Ao natural, como fruta fresca.
•   Pão de Figos: Secos com Amêndoas, como snack.
•   Aos cubinhos, adicionados aos cereais do pequeno-almoço ou em saladas.
•   Em cozinhados de carne, caça, coelho ou aves.
•   Para acompanhar pão, queijo ou presunto.
•   Em geleias e compotas, bolos e tartes.
•   Com o Figo se fabrica ainda aguardente.
 
Foto: Mealhada, Junho 2012
 
Receita medicinal
Cozimento: 10 a 12 Figos secos para um litro de água ou leite (de preferência vegetal). Ferver até reduzir o líquido a metade. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia adoçadas com mel. Os Figos cozidos também se podem comer.
Indicações: Como calmante da tosse e suavizante das mucosas nas afeções respiratórias, digestivas e para aumentar o apetite das crianças.
 
Receita medicinal
À noite, demolhar com água a ferver meia dúzia de Figos secos aos quais se adicionou mel. No dia seguinte, tomar o líquido em jejum e depois comer os Figos. Pode acompanhar os Figos com pão integral.
Indicações: Muito laxante.
 
Receita medicinal
Figos secos com Pinhões e uma chávena de leite quente adoçada com mel.
Indicações: Na tosse e bronquite.
 
Receita medicinal
Triturado em cataplasma, o Figo amadurece abcessos e furúnculos, resolve inflamações e cicatriza os tecidos.
Indicações: Erupções da pele, feridas infetadas, úlceras, furúnculos e abcessos.
 
Receita medicinal
Umas gotas de látex, aplicadas topicamente todos os dias, durante várias semanas, removem calos e verrugas.
 
Precauções
Os diabéticos devem comer o Figo com muita moderação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
  
Oficina das Plantas em colaboração com Simbiose, Viana do Castelo

 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Oficina das Plantas, em Novembro

Foto: mumumío

Não há plantas boas para comida que não o sejam também para cura. O excesso é que causa problemas. Umberto Eco

 
“Frutos Secos”
  • Os frutos secos são alimentos concentrados: muito calóricos mas também muito nutritivos. Utilizados regularmente e com parcimónia na nossa alimentação são um contributo para a manutenção da saúde. Podem ainda ser usados como forma de tratamento natural
  • Neste workshop vamos abordar algumas das suas propriedades medicinais e como delas podemos beneficiar
  • Plantas abordadas: Avelã, Castanha, Figo, Noz, Pinhão, Uva


Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319
 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Oficina das Plantas, em Outubro

Foto: Vila Nova de Milfontes, Julho 2013
Todos os prados e pradarias, todas as montanhas e colinas são uma farmácia. Paracelso, séc. XVI
 
 
“Tosse, Constipação e Gripe –
– Prevenção e Tratamento com Plantas”
 
•    Tomadas em infusão ou xarope, banhos de vapor ou cataplasma, as plantas medicinais aumentam as defesas do organismo, combatem vírus e bactérias, favorecem a descida da febre, acalmam a tosse e ajudam na eliminação da expetoração. Venha conhecer algumas destas plantas que ajudam a prevenir ou tratar as afeções do Inverno
•    No final, poderá degustar algumas das plantas em infusão
 
 
Programa do workshop
Parte teórica:
•   Breve introdução às plantas medicinais e fitoterapia, usos tradicionais e científicos, benefícios e formas de utilização
•    Plantas abordadas: Equinácea, Sabugueiro, Eucalipto, Drosera, Violeta e Linho
Parte prática:
•    Ao longo da sessão vamos fazer inalações secas e húmidas e uma cataplasma
Nota: Os participantes devem trazer um pano de algodão branco com cerca de 25 x 25 cm para a cataplasma
 
 
Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319
 
              

sábado, 7 de setembro de 2013

Oficina das Plantas, em Setembro


A Medicina é uma arte. É a Natureza que age na cura, a arte apenas ajuda e não cura, senão através da Natureza. Hipócrates, séc. V a.C.



“Temperar a Saúde com Ervas”
Programa do workshop:
•   Breve introdução às plantas aromáticas e medicinais, fitoterapia e medicina popular, usos tradicionais e científicos, benefícios e formas de utilização, em fitoterapia e na cozinha
•   Plantas abordadas que poderá ver, sentir e cheirar: Salsa, Coentro, Orégão, Louro, Hortelã-pimenta, Tomilho, Cominho e Funcho
•   No final, poderá degustar algumas das plantas em infusão ou numa deliciosa salada para quem quiser almoçar



Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319