terça-feira, 31 de maio de 2011

A rainha do pátio, de António Torrado


Tília num terraço
Av. Conde Carreira, Viana do Castelo (Abril 2011)

Não será muito vistosa a história que vou contar. Nem todas as histórias podem exibir, para regalo de quem as lê, o mesmo aparato de aventuras, umas a seguir às outras, como uma caixinha de mágicas donde saem fieiras de lenços multicolores, pombas que voam e coelhos que saltam. Há também as histórias simples que parece não terem nada para contar. Nascem sem porquê e vão crescendo, devagarinho, como uma árvore - exactamente como uma árvore -, que se abre em ramos que ninguém viu despontar. Uma vez acabadas, estas histórias oferecem uma sombra fresca, uma pausa de sossego a quem delas se aproximou. São histórias pouco ambiciosas.
Esta contou-me o Filipe, um amigo meu que vive numa casinha modesta, de um só piso, com uma janela virada para um pátio de calcetado irregular, pátio que tem, no meio, uma árvore grande. Outras janelas de outras casas iguais olham para o pátio onde reina, única e grande, a árvore de ramos firmes, logo coberta de folhinhas novas ao primeiro bafo da Primavera.

- Há mais de trinta anos que conheço estes sítios - disse-me o Filipe, debruçado da sua janela. - Nasci aqui. Neste pátio, dei os primeiros passos. Foi nestas pedras que, pela primeira vez, esfolei os joelhos. Não chegam os automóveis a este pátio. As únicas rodas que conheceu foram as da bicicleta do vizinho Júlio, um que trabalhava na construção. Às vezes, quando estava mais de maré, o que raramente acontecia, emprestava a máquina à rapaziada. Tanto trambolhão.
É um pátio de gente pobre, quase um beco, com tanques de lavar a roupa à beira de cada porta, um chafariz e janelas que a gente nem chega a perceber se dão do pátio para as casas ou das casas para o pátio. Este pátio, fique o meu amigo sabendo, vale por um livro aberto, onde qualquer pessoa que o conheça de perto pode ler histórias, um nunca acabar de histórias para todos os gostos. Vê aquela árvore? Pois tem uma história que merece a pena ouvir. Ninguém melhor do que eu, que acompanhei todos os passos da sua vida, lha poderia contar. Ora escute.
Há cerca de trinta anos, era eu um garoto, com os cotovelos apoiados no parapeito desta mesma janela, a olhar para a paisagem sempre igual e triste do pátio, quando reparei por acaso numa haste que despontava da terra, numa falha do empedrado. Erva daninha e rasteira é o que mais há, neste pátio. Uma autêntica praga. Se não nos acautelamos, até as urtigas são capazes de nos entrar em casa...
Mas aquela haste, que segurava umas folhinhas trémulas, não se parecia nada com as verduras atrevidas que infestavam a área. Desci à rua e fui ver de perto. Era um arbusto ou, para sermos precisos, uma árvore-bebé, mal saída do berço. Fiquei espantado e enternecido.
Como teria germinado a semente, por que milagre, naquele solo pobre, conseguira fixar-se a raiz, a romper a terra, em busca de luz, e espigar o tronco tenro da arvorezinha? Ainda que débil, a minha descoberta e, desde então, minha protegida, mostrava-se muito disposta a não se deixar vencer.
Tudo estava contra ela. A luz não era abundante, as pedras em volta ameaçavam estrangular-lhe o crescimento... e as pessoas andavam e andam sempre apressadas, com a cabeça no ar e bem longe do que se passa rente ao chão que pisam. Calculem qual não foi o meu pavor quando, dias depois, dei com a minha mãe e uma vizinha a espalharem sal sobre as pedras, mesmo junto à minha árvore.
- Gasta-se um bocado de sal, mas não há outro remédio para nos vermos livres, por uns tempos, destas malditas ervas - dizia a vizinha.
Custou-me a convencê-las... O meu principal argumento, em favor da árvore, foi o de que ela acabaria por não conseguir sobreviver.
Afinal, sempre conseguiu. Tive de avisar os meus amigos e de lhes pedir que não corressem naquele sítio. A princípio não me deram ouvidos, mas depois acabaram por se tornar meus aliados. Criámos uma ordem ou clube dos protectores da árvore e construímos uma pequena palissada à volta da nossa protegida. O Arlindo chegou mesmo a escrever, num letreiro espetado num pau, os seguintes dizeres:

CUIDADO COM A ÁRVORE.
PERIGO DE MORTE.

Perigo de morte para a árvore, claro.
Veio o Inverno e todos nós, os do pátio, receámos pela arvorezinha. A haste sem folhas parecia ter secado. Para a abrigar das grandes bátegas de água e do granizo de Janeiro, improvisámos, com uma armação de arame e o chapéu-de-chuva velho do meu pai, um toldo protector. Fazíamos isto com mil cuidados embora, intimamente, cada um de nós já não acreditasse que fosse possível salvá-la.
Imagine a minha alegria ao ver-lhe uma folhinha verde, quase branca, a apontar o céu limpo de Março. Acredite ao não, houve festa no nosso pátio.
O fim da história já a sabe o meu amigo. Está ali, alta, frondosa, uma força de vontade em forma de tronco. Fomos nós a protegê-la; é agora ela que nos protege. Oferece-nos a sua sombra, alinda-nos o pátio... É a nossa rainha, o nosso parque, o nosso jardim, a nossa vaidade e é ela a primeira a avisar-nos quando chega a Primavera.

Texto de António Torrado, em A escada de caracol, Edições ASA, Setembro de 2007

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Papoila-da-Califórnia

Flores solitárias de Papoila-da-Califórnia
Jardim da Marginal, Viana do Castelo (Março 2011)

De cor viva alaranjada, amarela e até rosa, muito vistosas e ornamentais, quem repara nelas num jardim pode nem suspeitar do seu valor medicinal.
Da mesma família da Papoila-branca (Papoila-dormideira ou Papoila-do-ópio), Papaver somniferum L., a Papoila-da-Califórnia contém um látex que exerce uma acção sobre o sistema nervoso central bastante diferente: não produz um efeito narcótico nem aditivo, mas sim uma acção sedativa suave e regularizadora. Muito utilizada em fórmulas ou em simples, é considerada uma planta segura e eficaz, sendo uma opção adequada para as afecções físicas e psicológicas das crianças.

Pormenor das folhas recortadas de Papoila-da-Califórnia
Jardim da Marginal, Viana do Castelo (Março 2011)

Um pouco da sua história
A Papoila-da-Califórnia, também conhecida por Escholtzia, tem como nome botânico Eschscholzia californica Cham. (um nome dado a algumas confusões ortográficas!) e pertence à família das Papaveraceae. É espontânea no Oeste da América do Norte, nomeadamente no Estado da Califórnia como nos sugere o nome, onde cobre vastas extensões de amarelo na proximidade das florestas proporcionando uma bonita paisagem. Pelo facto de ser muito ornamental, é cultivada em várias regiões do mundo, nomeadamente na Europa, África do Sul, Austrália, Chile e Argentina. Em Portugal, surge com frequência nos jardins.

O seu nome foi-lhe atribuído no séc. XIX, em homenagem aos dois botânicos alemães que a classificaram após uma expedição à Califórnia: Johann Friedrich von Eschscholtz e Adelbert von Chamisso (Cham. é a abreviatura padrão do seu nome).

Medicinalmente, a Papoila-da-Califórnia começou por ser utilizada pelos índios norte-americanos, que a usavam pelas suas propriedades sedativas, e como analgésico para aliviar dores de dentes, dores de cabeça e cólicas gastrintestinais. As suas folhas cozidas eram ainda utilizadas na alimentação, e o seu pólen como cosmético.
Actualmente, continua a ser uma planta muito utilizada como sedativo e analgésico.

Papoila-da-Califórnia, Praça 1º de Maio, Viana do Castelo (Abril 2011)

Parte utilizada
Partes aéreas floridas.

Composição
Em fitoterapia, os efeitos terapêuticos de uma planta resultam da sinergia dos seus constituintes. No entanto, a investigação realça os alcalóides (californidina, sanguinarina) e os glicósidos de flavonóides (rutósido). São ainda de referir os ácidos orgânicos e corantes.

A planta fresca contém compostos cianogénicos.

Acções medicinais
Sedativa e ansiolítica. Hipnótica, induz o sono, diminuindo o seu tempo de latência, melhorando a sua qualidade e permitindo um acordar normal, não produzindo tolerância, dependência ou outros efeitos adversos como os barbitúricos de síntese. Relaxante. Antiespasmódica, analgésica e antinevrálgica.

Indicações terapêuticas
Ansiedade, agitação nervosa, hiperactividade das crianças. Emotividade, angústia, melancolia, depressão. Tensão nervosa, irritabilidade. Perturbações psicossomáticas associadas ao stress (dores musculares, hipertensão arterial, arritmias cardíacas). Neurastenia. Perturbações do sono (insónias, pesadelos). Enurese nocturna. Dores de cabeça, enxaquecas, dores e espasmos gastrintestinais das crianças. Nevralgias.

Como tomar
Infusão: 1 colher de chá por chávena de água fervente. Tomar 1 a 2 chávenas por dia.
Fazer tratamentos intercalados com períodos de descanso.
A Papoila-da-Califórnia é frequentemente associada a outras plantas sedativas (Valeriana, Hipericão, Passiflora, Erva-cidreira), potenciando os seus resultados.


Precauções
Planta segura nas doses habitualmente recomendadas, sem efeitos secundários ou risco de habituação.

Contra-indicada em pessoas com glaucoma, não deve igualmente ser utilizada durante a gravidez, aleitamento ou em crianças menores que 6 anos.
Não deve ser utilizada em simultâneo com benzodiazepinas ou anti-histamínicos. As bebidas alcoólicas devem ser evitadas durante o tratamento.
A posologia deve ser respeitada, doses elevadas podem ser causa de intoxicação.


Papoila-da-Califórnia, Odemira (Abril 2006)

Observações
A Papoila-da-Califórnia é uma importante planta utilizada em medicina popular e em fitoterapia; a sua acção ansiolítica e antiespasmódica foram já verificadas em animais; os estudos farmacológicos apoiam a sua utilização como sedativo e ansiolítico. No entanto, não existem estudos que comprovem, de forma evidente, a sua eficácia clínica. Por este motivo, a Comissão E (da German Federal Office for Phytotherapeutic Substance) não aprovou a sua utilização. Talvez também pelo mesmo motivo, a sua monografia não esteja inscrita na Farmacopeia Portuguesa, nem seja referida pela OMS (World Health Organization) e pela ESCOP (European Scientific Cooperative on Phythoterapy).
A Papoila-da-Califórnia é também utilizada em Homeopatia e em Terapia Floral (Florais da Holanda).

Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.

domingo, 6 de março de 2011

Sabugueiro - Um pouco da sua história

Sabugueiro em flor, Est. da Papanata, Viana do Castelo (Abril 2007)

Muito pitoresco, o Sabugueiro é também uma das plantas medicinais mais antigas e apreciadas. A sua utilização remonta aos primórdios da Humanidade, como o comprovam as suas sementes encontradas em estações arqueológicas da Idade da Pedra localizadas na Suiça e Norte de Itália. Desde sempre muito popular, aparece associado a diferentes mitologias bem como a inúmeras lendas.

Do Sabugueiro quase tudo pode ser utilizado: a sua madeira é apreciada pelos artesãos; os seus ramos compridos e quebradiços, quase ocos, servem para fazer apitos e flautas, sendo também apropriados para acender fogueiras; as suas folhas esmagadas emanam um odor desagradável que pode ser aproveitado como repelente de moscas e lagartas num jardim biológico; as suas flores, com um agradável aroma a mel, são utilizadas na confecção de bebidas refrescantes, e também na conservação de maçãs, que se dispõem em camadas alternadas em caixas de cartão fechadas; os frutos, de cor negra a violácea e ricos em pigmentos (antocianósidos), são utilizados para a obtenção de corantes de uso alimentar (já foram usados para dar cor ao vinho e a outras bebidas), e com eles se preparam diversas receitas de compotas, geleias, gelatinas, bolinhos fritos, molho chutney, ..., sendo ainda comercializados na forma de sumo.

Medicinalmente, embora possam ser utilizadas quase todas as partes da planta - flores, frutos, folhas e cascas -, actualmente utilizam-se sobretudo as flores e, por vezes, os frutos. Muito acarinhado, o Sabugueiro foi já considerado uma verdadeira "botica de remédios", o que revela a excelência das suas propriedades terapêuticas.

Bagas de Sabugueiro, Est. da Papanata, Viana do Castelo (Julho 2007)


Um pouco da sua história
Com o nome botânico de Sambucus nigra L. subsp. nigra, o Sabugueiro é uma planta da família das Adoxaceae (Caprifoliaceae na classificação anterior), conhecido também pelos nomes vernáculos de Candelheiro, Canineiro, Galacrista, Rosa-de-bem-fazer, Rosa-de-bem-estar, Sabugo, Sabugueiro-negro, Sabugueiro-preto e Flor-de-sabugueiro.
Oriundo das regiões temperadas da Europa e Ásia onde se encontra amplamente disseminado, é ainda subspontâneo no Norte de África e Macaronésia (Açores e Madeira). Cresce em bosques, sebes, terrenos incultos, margens dos campos e dos cursos de água, tolerando diversos tipos de solos, poluição atmosférica e temperaturas mínimas até  -25 ºC. É também cultivado como planta ornamental e para obtenção dos seus frutos.
Considerado um arbusto, o Sabugueiro pode, no entanto, atingir o porte de uma pequena árvore (maior do que 5 metros de altura). Para tal, é importante estar plantado num bom terreno - a raiz é frágil e seca rapidamente num terreno árido - e, ser devidamente podado, cortando-lhe os ramos que partem da base de forma a ficar apenas um, que será o tronco.

Sabugueiro, Est. da Papanata, Viana do Castelo (Agosto 2007)

O nome Sambucus deriva provavelmente do grego, sambuke, que significa uma harpa com estrutura de madeira.
Considerado no passado uma das plantas mágicas mais poderosas, o Sabugueiro simbolizava a protecção, sendo por isso plantado próximo das povoações. Em diferentes mitologias europeias, surge-nos como a residência de diferentes deuses / deusas. Em sua honra ofereciam-se alimentos, dançava-se, mas também integrava rituais pagãos como o dia de S. João, ou até de cariz religioso como o Natal. Em qualquer das circunstâncias, o objectivo era agradar aos deuses e com isso obter protecção: protecção contra as tempestades, os ladrões, as discórdias entre os casais, os espíritos malignos ou os bruxedos. Cortá-lo era considerado um grave sacrilégio e, para evitar o pior, os lenhadores tinham que lhe pedir autorização recitando uma súplica em verso.
Por vezes, o Sabugueiro surge-nos associado à morte. A sua madeira era utilizada para fazer caixões que se colocavam na sepultura com cruzes e grinaldas feitos com os seus ramos, ou o próprio arbusto depois de aparado em forma de cruz era colocado sobre a sepultura. Existe também uma lenda que nos conta que era feita da sua madeira a cruz onde Cristo morreu, pois ao espremer o fruto do Sabugueiro obtém-se um sumo avermelhado.
Como planta ornamental popularizou-se a partir do séc. XVI.

A utilização medicinal do Sabugueiro remonta à Antiguidade Clássica tendo sido referido por Hipócrates (médico grego do séc. V a.C.) nos seus tratados de medicina. Frequentemente utilizado pelos Gregos e Romanos, era considerado um remédio eficaz, sendo também empregado para tingir os cabelos de preto.
No século XVII, o Sabugueiro foi mencionado com muita consideração por John Evelyn, escritor e jardineiro inglês. Foi ainda muito utilizado na peste pneumónica que se seguiu à guerra de 1914-18.

As flores de Sabugueiro encontram-se registadas como aromatizante natural de alimentos no Conselho Europeu.

Sabugueiro muito pitoresco
EN120 - Cercal do Alentejo / S. Luís (Maio 2006)


Sabugueiro - Utilização medicinal das flores

Pormenor das flores de Sabugueiro em forma de corimbo (inflorescências corimbosas)
Est. da Papanata, Viana do Castelo (Abril 2007)

Parte utilizada
Flores secas, de preferência separadas dos pedúnculos e pedicelos.

Composição
Em fitoterapia, os efeitos terapêuticos de uma planta resultam da sinergia dos seus constituintes. No entanto, a investigação realça os flavonóides (isoquercitrina, quercetrina, rutina, hiperósido), os ácidos fenólicos (cafeico, clorogénico, p-cumárico) e os fitosteróis. São ainda de referir o óleo essencial, as mucilagens, os antocianósidos, os ácidos triterpénicos e os sais potássicos.

Acções medicinais
Uso interno
Expectorante, fluidificando as secreções das vias respiratórias e favorecendo a sua expulsão. Anticatarral, diminuido as secreções das mucosas inflamadas. Anti-inflamatória e antiviral. Sudorífica, aumentando a transpiração e favorecendo a eliminação de toxinas. Diurética. Adstringente suave e venotónica, contrai os capilares e melhora a tonicidade das paredes venosas. Galactagoga, aumenta a secreção láctea nas mulheres que amamentam.
Uso externo
Anti-inflamatória, adstringente e venotónica. Rejuvenesce a pele e revitaliza os cabelos, restaurando-lhes a elasticidade e o brilho.

Indicações terapêuticas
Uso interno

Inflamações das vias respiratórias como constipação, amigdalite, tosse e bronquite, diminuindo a inflamação e favorecendo a expectoração. Rinite alérgica, febre dos fenos e sinusite, secando as membranas mucosas do nariz e garganta e reduzindo os espirros e o pingo no nariz. Inflamações no ouvido médio. Gripes e estados febris ligeiros, aliviando os sintomas e combatendo a infecção. Sarampo e varíola (afecções febris de etiologia viral). Como diurético no reumatismo e gota. Fragilidade capilar e hemorróidas. Para aumentar a secreção do leite materno.
Em medicina popular é também utilizado nas afecções pulmonares, arteriosclerose e como depurativo geral do organismo.
Uso externo
Estomatites e faringites. Afecções da pele como acne, eczema, psoríase. Pele inflamada, pele gretada. Feridas e queimaduras. Olhos doridos e inflamados, conjuntivites. Flebite aguda e hemorróidas. Para limpar e rejuvenescer a pele e para restaurar a elasticidade e o brilho aos cabelos.


As flores de Sabugueiro são um remédio seguro e eficaz
nas afecções ORL (ouvidos, nariz e garganta)
Est. da Papanata, Viana do Castelo (Abril 2007) 

Como tomar
Uso interno

Infusão: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente, 5 minutos de infusão. Tomar 2 a 3 vezes por dia.
Nas afecções das vias respiratórias adoçar a infusão com mel.
Nas afecções febris, a infusão deve ser tomada bem quente e o doente deve estar bem agasalhado de modo a potenciar a acção sudorífica da planta.
O xarope das flores também se utiliza nas afecções das vias respiratórias (tosses, gripes, ...), sendo de realçar o Xarope Beirão das Flores de Sabugo, de origem popular, e com fama de muito bons resultados nas crianças.
O vinho medicinal das flores também se usa embora terapeuticamente seja menos eficaz.

Uso externo
Infusão: 80 gramas por litro de água. Em banhos, lavagens, compressas, bochechos, gargarejos.

Precauções
Não são conhecidas contra-indicações, efeitos secundários ou toxicidade das flores de Sabugueiro nas doses habitualmente utilizadas.


Observações
A Farmacopeia Portuguesa 9 (2008, Ed. Infarmed), inscreve a monografia de flores secas de Sambucus nigra L. São ainda de referir as suas monografias da OMS (World Health Organization) e Comissão E Alemã (da German Federal Office for Phytotherapeutic Substance).


Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.

Sabugueiro em final de floração
Est. da Papanata, Viana do Castelo (Maio 2007)

Sabugueiro - Utilização medicinal dos frutos


Pormenor das bagas maduras de Sabugueiro
Est. da Papanata, Viana do Castelo (Julho 2007)

Parte utilizada
Frutos maduros (bagas).

Composição
Antocianósidos, flavonóides (rutina), ácidos orgânicos (cítrico, málico), taninos, hidratos de carbono, vestígios de óleo essencial. Heterósidos cianogénicos (ácido cianídrico). Riqueza em vitaminas (A e C) e minerais.


Acções medicinais
Antioxidante, combate os efeitos nocivos dos radicais livres. Melhora a resistência às infecções. Sudorífica, aumenta a transpiração e favorece a eliminação das toxinas. Diurética. Laxativa (doses médias) e purgativa (doses elevadas).

Indicações terapêuticas
Uso interno
Constipações, inflamações da garganta, tosse, gripes e estados febris ligeiros, combatendo a infecção e acelerando a recuperação. Reumatismo. Como laxante.
Uso externo
Inflamações e úlceras na pele e mucosa oro-faríngea.
Em medicina popular, os frutos também são utilizados externamente na dor, edema e inflamação reumatismal.


Pormenor das bagas ainda verdes de Sabugueiro
Est. da Papanata, Viana do Castelo (Junho 2007)

Como tomar
Na forma de cozimento, xarope e sumo. As bagas dão ainda um excelente vinho medicinal.

Precauções
As bagas, sobretudo quando não estão suficientemente maduras, podem ser causa de intoxicação, originando perturbações gastrintestinais como náuseas, vómitos e diarreia (devido ao ácido cianídrico). Para o evitar, é conveniente dar-lhes uma cozedura antes de serem ingeridas.

Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.

Sabugueiro - Utilização medicinal das cascas

Pormenor do tronco de Sabugueiro
EN120 - Cercal do Alentejo / S. Luís (Maio 2006)

Parte utilizada
Cascas (entrecasca, a segunda casca).

Composição
Taninos, flavonóides, ácidos fenólicos e triterpénicos, heterósidos cianogénicos (ácido cianídrico).


Acções medicinais
Diurética. Adstringente, hemostática local e cicatrizante. Purgativa.


Indicações terapêuticas
Como diurético na oligúria e litíase renal. Como purgante.


Como tomar
Cozimento das cascas.

Precauções
Devido à presença de heterósidos cianogénicos (que libertam ácido cianídrico), as cascas são potencialmente tóxicas, pelo que se desaconselha a sua utilização sem o acompanhamento de um profissional.

Observações
É de referir que a primeira casca também apresenta valor terapêutico (resolutiva, favorecendo a resolução das tumefacções e inflamações dos tecidos).

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Sabugueiro - Utilização medicinal das folhas

Pormenor das folhas de Sabugueiro
Est. da Papanata, Viana do Castelo (Abril 2007)

Parte utilizada
Folhas.

Composição
Heterósidos cianogénicos (ácido cianídrico), taninos, resinas, gorduras, ácidos gordos.

Acções medicinais
Resolutiva em uso externo, favorece a resolução das tumefacções e inflamações dos tecidos.

Indicações terapêuticas
Em medicina popular, internamente na constipação e gripe e em uso externo nos abcessos e inflamações da pele.


Como tomar
Internamente a maceração das folhas e a cataplasma das folhas frescas pisadas em uso externo.

Precauções
Devido à presença de heterósidos cianogénicos (que libertam ácido cianídrico), as folhas são potencialmente tóxicas, pelo que se desaconselha a sua utilização sem o acompanhamento de um profissional.

Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.