terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tertúlias da Botica - Uva Passa


Foto: Gondoriz, Abril 2007
 
Nome botânico: Vitis vinifera L.
Família: Vitaceae.
Nomes populares: Cepa; Latada; Parreira; Vide; Videira; Videira-europeia; Videira-vermelha; Vinha-vermelha.
 
Originária da Ásia Menor, a Videira foi cultivada pela primeira vez no Cáucaso cerca de 6.000 anos a.C. Atualmente, a sua cultura encontra-se amplamente distribuída pelos países mediterrânicos e de clima temperado, sobretudo para a produção de vinho. Curiosamente, a utilização medicinal do vinho era já conhecida dos povos da Antiguidade, que o aplicavam como antissético sobre feridas – assim o refere Dioscórides, o célebre médico grego do século I.
Deste arbusto trepador, quase tudo é medicinal: as folhas, a seiva e as sementes, além das Uvas, que são um dos frutos mais medicinais que se conhecem e integram a nossa alimentação.
 
Foto: Ponte de Lima, Maio 2007
 
Como consumir
A Uva deve ser colhida madura. Pode ser consumida fresca ou em passa. As Uvas frescas devem apresentar-se intactas e sem enrugamentos ou manchas. Conservam-se poucos dias à temperatura ambiente, mas pode guardá-las no frigorífico para uma conservação mais prolongada. Devem ser lavadas apenas no momento de as consumir.
Sugestões:
   Como fruta, ao natural, de preferência fora das refeições.
   Em sumo (sem aditivos) ou em passas.
   Uvas em passa com fruta fresca e pão: Um bom pequeno-almoço ou merenda.
   Frescas ou secas, adicionadas às saladas de frutas ou de vegetais.
   Em saladas frias de frango ou atum, tortilhas, ou pratos de aves, caça, peixe e frutos do mar.
   Ingrediente do arroz árabe e do pão com passas.
   Em bolos e tartes, compotas e geleias.
   Em regime de monodieta (cura de Uvas): Comer 1-3 kg de Uvas, como único alimento, durante 3 dias, no mínimo. É a melhor forma de usufruir dos benefícios da Uva.
 
Foto: Ponte de Lima, Junho 2007
 
Receita medicinal
Uvas em passa com leite quente. Como peitoral, na tosse.
 
Receita medicinal
Cataplasmas com uma pasta de passas de Uva e mel: Aplicada sobre os furúnculos, favorece a sua maturação e rebentamento.
 
Precauções
Os diabéticos devem comer a Uva com muita moderação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
 
Oficina das Plantas em colaboração com Simbiose, Viana do Castelo
 
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tertúlias da Botica - A Noz


Foto: Nogueira, Ponte de Lima, Julho de 2007

Nome botânico: Juglans regia L.
Família: Juglandaceae.
 
A Nogueira, uma belíssima árvore que pode viver 200 a 300 anos, é originária da Pérsia. Tem uma história milenar com vestígios da sua utilização datados de mais de 8.000 anos. Foi muito cultivada pelos Gregos e era considerada sagrada pelos Romanos para quem simbolizava a fertilidade. Segundo a Teoria das Assinaturas de Paracelso, o famoso alquimista suíço do século XVI, a Noz seria boa para o cérebro pela analogia entre a sua forma e o cérebro humano.
A Noz é o fruto da Nogueira e, por extensão, a sua semente. É utilizada na alimentação, e integra a dietética da medicina tradicional chinesa. Em fitoterapia também são usadas as folhas e as cascas dos frutos (nogalina).
 
Como consumir
As nozes podem ser adquiridas com casca (o fruto) ou sem casca (a semente). Se adquirir o fruto, saiba que se chocalhar ao abanar, a noz pode já estar murcha; se adquirir a semente, esta deve estar estaladiça e não deve cheirar a ranço ou mofo. As nozes com casca conservam-se até um ano, mas o miolo deve ser consumido dentro de poucas semanas pois deteriora-se rapidamente em presença do ar, luz, calor ou humidade.
Pela energia que proporcionam, o seu consumo é mais indicado ao pequeno-almoço; pelo seu aporte em proteínas podem substituir os alimentos proteicos (como a carne). Mastigar bem. Demolhadas ou torradas aumenta a sua digestibilidade.
Sugestões:
   Ao natural: 3 ou 4 nozes por dia.
   Em papas de cereais com iogurte ou leite.
   Integradas no pão (pão de nozes) ou em sanduíches.
   Em saladas de vegetais.
   Em molhos para pratos de carne ou peixe.
Em pratos vegetarianos, em substituição dos alimentos proteicos (como a carne):  Croquetes, almondegas com flocos de Aveia.
   Em omeletas.
   Em bolos e doces, panquecas, crepes ou gelados.
   O óleo de nozes, obtido por extração a frio das nozes prensadas, pode ser utilizado para temperar saladas ou outros pratos frios.
 
Foto: Nozes, Ponte de Lima, Julho 2007
 
Receita medicinal
O óleo de Noz pode ser usado como suavizante da pele e anti-inflamatório, nas queimaduras.
 
Receita culinária – Pesto de Nozes
Numa picadora coloque um raminho generoso de folhas frescas de manjericão, 2 ou 3 dentes de alho descascados, o miolo de 20 nozes e um pouco de azeite; se pretender, pode acrescentar sal, pimenta ou queijo parmesão ralado. Pressione até obter uma pasta cremosa. Adicione a pratos de massas, saladas de vegetais ou em sanduíches.
 
Oficina das Plantas em colaboração com Simbiose, Viana do Castelo
 
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ainda acerca do Figo...


Pintura: Wikimedia Commons
 
 
Lengalenga
 
Foge o figo da figueira
fica a figueira sem figo
 
fico eu sem as formigas
formigas do formigueiro
 
foge o figo da figueira
foge o fogo da fogueira
 
fico eu sem as farinhas
farinhas das farinheiras
 
foge o figo da figueira
fica a figueira sem figo
 
foge a faneca do forno
sem faneca é que eu não fico!
 
Poema de Maria Alberta Menéres, em Conversas com versos, ASA, 2005
 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Tertúlias da Botica - Figo Seco

Foto: Ponte de Lima, Junho 2007


Nome botânico: Ficus carica L.
Família: Moraceae.
Nomes populares: Bebereira; Figueira-da-Europa; Figueira-de-Baco; Figueira-mansa.
 
Delicioso, doce e suculento, o Figo é referido pelas suas virtudes medicinais desde há mais de 2700 anos. Um dos primeiros frutos a ser produzido pelos antepassados dos Sumérios na Babilónia foi, mais tarde reverenciado por Cleópatra; os atletas Gregos consumiam-no para refazer as suas forças e usavam-no como medalha pelos seus feitos olímpicos. A Figueira é uma planta bíblica: foi com as suas folhas que Adão e Eva se cobriram quando se aperceberam que estavam nus, e foi com uma cataplasma de Figos que o rei Ezequias, monarca do reino de Judá, sarou uma terrível chaga que o colocava em risco de vida. O Figo simboliza o princípio feminino (útero) e a fertilidade.
Originária da região mediterrânica, a Figueira é uma pequena árvore de folhas grandes e ásperas que cresce em regiões quentes e secas. As flores são diminutas e encontram-se reunidas em inflorescências encerradas num recetáculo com um pequeno orifício; após serem fecundadas por uma determinada espécie de inseto dão origem a um conjunto de pequenos frutos encerrados, o Figo, botanicamente designado por sícone (do grego, sykon, Figo). Na alimentação usam-se os frutos, em fitoterapia utiliza-se ainda o látex branco – leite ou lágrima da Figueira – que emana das folhas e ramos da árvore.
 
Foto: Perre, Viana do Castelo, Junho 2007
 
Como consumir
O Figo pode ser consumido fresco ou seco. Quando fresco, deve estar ligeiramente mole. Deve ser colhido maduro pois o látex que contém, cáustico, só desaparece com a plena maturação. É frágil, conserva-se por poucos dias, mesmo no frigorífico. O Figo seco, disponível todo o ano, conserva-se durante vários meses em local fresco e seco, sem perder qualidade. O aspeto branco decorre da perda de água, são os açúcares que vêm à superfície. Demolhar o Figo seco durante a noite aumenta a sua digestibilidade. Passar a faca por água quente antes de descascar o Figo, ajuda a que não fique pegajosa.
Sugestões:
   Ao natural, como fruta fresca.
   Pão de Figos: Secos com Amêndoas, como snack.
   Aos cubinhos, adicionados aos cereais do pequeno-almoço ou em saladas.
   Em cozinhados de carne, caça, coelho ou aves.
   Para acompanhar pão, queijo ou presunto.
   Em geleias e compotas, bolos e tartes.
   Com o Figo se fabrica ainda aguardente.
 
Foto: Mealhada, Junho 2012
 
Receita medicinal
Cozimento: 10 a 12 Figos secos para um litro de água ou leite (de preferência vegetal). Ferver até reduzir o líquido a metade. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia adoçadas com mel. Os Figos cozidos também se podem comer.
Indicações: Como calmante da tosse e suavizante das mucosas nas afeções respiratórias, digestivas e para aumentar o apetite das crianças.
 
Receita medicinal
À noite, demolhar com água a ferver meia dúzia de Figos secos aos quais se adicionou mel. No dia seguinte, tomar o líquido em jejum e depois comer os Figos. Pode acompanhar os Figos com pão integral.
Indicações: Muito laxante.
 
Receita medicinal
Figos secos com Pinhões e uma chávena de leite quente adoçada com mel.
Indicações: Na tosse e bronquite.
 
Receita medicinal
Triturado em cataplasma, o Figo amadurece abcessos e furúnculos, resolve inflamações e cicatriza os tecidos.
Indicações: Erupções da pele, feridas infetadas, úlceras, furúnculos e abcessos.
 
Receita medicinal
Umas gotas de látex, aplicadas topicamente todos os dias, durante várias semanas, removem calos e verrugas.
 
Precauções
Os diabéticos devem comer o Figo com muita moderação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
  
Oficina das Plantas em colaboração com Simbiose, Viana do Castelo

 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Oficina das Plantas, em Novembro

Foto: mumumío

Não há plantas boas para comida que não o sejam também para cura. O excesso é que causa problemas. Umberto Eco

 
“Frutos Secos”
  • Os frutos secos são alimentos concentrados: muito calóricos mas também muito nutritivos. Utilizados regularmente e com parcimónia na nossa alimentação são um contributo para a manutenção da saúde. Podem ainda ser usados como forma de tratamento natural
  • Neste workshop vamos abordar algumas das suas propriedades medicinais e como delas podemos beneficiar
  • Plantas abordadas: Avelã, Castanha, Figo, Noz, Pinhão, Uva


Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319
 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Oficina das Plantas, em Outubro

Foto: Vila Nova de Milfontes, Julho 2013
Todos os prados e pradarias, todas as montanhas e colinas são uma farmácia. Paracelso, séc. XVI
 
 
“Tosse, Constipação e Gripe –
– Prevenção e Tratamento com Plantas”
 
    Tomadas em infusão ou xarope, banhos de vapor ou cataplasma, as plantas medicinais aumentam as defesas do organismo, combatem vírus e bactérias, favorecem a descida da febre, acalmam a tosse e ajudam na eliminação da expetoração. Venha conhecer algumas destas plantas que ajudam a prevenir ou tratar as afeções do Inverno
    No final, poderá degustar algumas das plantas em infusão
 
 
Programa do workshop
Parte teórica:
   Breve introdução às plantas medicinais e fitoterapia, usos tradicionais e científicos, benefícios e formas de utilização
•    Plantas abordadas: Equinácea, Sabugueiro, Eucalipto, Drosera, Violeta e Linho
Parte prática:
•    Ao longo da sessão vamos fazer inalações secas e húmidas e uma cataplasma
Nota: Os participantes devem trazer um pano de algodão branco com cerca de 25 x 25 cm para a cataplasma
 
 
Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319
 
              

sábado, 7 de setembro de 2013

Oficina das Plantas, em Setembro


A Medicina é uma arte. É a Natureza que age na cura, a arte apenas ajuda e não cura, senão através da Natureza. Hipócrates, séc. V a.C.



“Temperar a Saúde com Ervas”
Programa do workshop:
   Breve introdução às plantas aromáticas e medicinais, fitoterapia e medicina popular, usos tradicionais e científicos, benefícios e formas de utilização, em fitoterapia e na cozinha
   Plantas abordadas que poderá ver, sentir e cheirar: Salsa, Coentro, Orégão, Louro, Hortelã-pimenta, Tomilho, Cominho e Funcho
   No final, poderá degustar algumas das plantas em infusão ou numa deliciosa salada para quem quiser almoçar



Formadora: Paula Bicho (fitoterapeuta)
Local: Viana do Castelo
Inscrições: studioser.simbiose@gmail.com ou 917131319
 



terça-feira, 13 de novembro de 2012

À ANA NO DIA DO ANAVERSÁRIO


Havia uma flor!
Nem eu sabia
onde é que a flor havia,
Mas tanto fazia.

Talvez houvesse
onde ninguém soubesse
ou fosse uma flor de estar a haver
só na minha imaginação,
ou não fosse uma flor, fosse uma canção.

Nem a flor sabia
que existia.
Em qualquer sítio, sem saber, floria.
E se fosse uma canção cantava e não se ouvia.

E isso acontecia
no meu coração.
Não sei se era uma flor se uma melodia,
era qualquer coisa que havia
e cantava e floria
dentro de mim sem razão.

Ia pela rua e ninguém diria.
As pessoas passavam
e eu dizia:
«Bom dia!»
e ninguém suspeitava
o bom dia que fazia
em qualquer sítio
que dentro de mim havia!
Só eu sabia e sorria,
levando-te pela mão.

3/7/1980
Poema de Manuel António Pina, em O Têpluquê e Outras Histórias, Assírio & Alvim, Novembro 2006

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dente-de-leão - Um pouco da sua história

Dente-de-leão: As flores são liguladas e formam
um capítulo solitário, o pedúnculo é oco
Areosa / Viana do Castelo (Fevereiro de 2007)

Planta de flores amarelas completamente banal, feinha, confundindo-se, para quem não a conhece, com tantas outras que se lhe assemelham mas não o são, inconfundível e bela para quem a observa, o Dente-de-leão tem uma vasta distribuição por todo o mundo, e é uma verdadeira relíquia entre a flora medicinal. Versátil, muito útil e popular, é uma excelente planta para iniciar um tratamento, já que se trata de um dos mais eficazes desintoxicantes em botânica medicinal. Mas as suas virtudes não se ficam por aqui!

                                          O dente-de-leão
                                          Se pensas que eles são
                                          imóveis como as pedras,
                                          estás muito enganado.
                                          Olha um dente-de-leão,
                                          a aterrar de pára-quedas,
                                          acolá naquele prado!
                                                             Poema de Jorge Sousa Braga, em Herbário, Assírio & Alvim, Setembro 2009

Um pouco da sua história
O Dente-de-leão é uma planta nativa do hemisfério Norte, aclimatada na América do Sul, sendo espontânea em Portugal. Encontra-se com frequência em lugares húmidos, espaços arrelvados, jardins, campos cultivados, prados, hortas, terrenos baldios, beira dos caminhos e até entre as pedras das calçadas nas cidades.
É também conhecido por Taráxaco, Taraxaco, Coroa-de-monge, Amor-dos-homens, O-teu-pai-é-careca, Serralha, Frango, Quartilho, Bufas-de-lobo, tendo como nome botânico Taraxacum officinale Weber ex Wiggers (= Leontodon officinale With. = Leontodon taraxacum L. = Taraxacum officinale (With.) Wigg. = Taraxacum dens leonis Desf. = Taraxacum vulgare Schrank). Pertence à família das Asteraceae (Compositae).

Dente-de-leão, cabeça de sementes
Melgaço (Abril 2007)

O seu nome botânico, Taraxacum, deriva do árabe, tarakshaqum, que significa erva amarga. O nome popular Dente-de-leão parece ter origem no aspecto da planta: as suas folhas são profundamente dentadas e as flores amarelas assemelham-se a uma juba de leão. Quando se formam as sementes, surge uma penugem que voa facilmente com um sopro, expondo algo semelhante a uma cabeça rapada, o que explica a origem de um outro nome popular, Coroa-de-monge.
Se para a planta o facto das sementes serem dispersas facilmente pelo vento facilita a sua disseminação, para as pessoas constitui um motivo para inúmeras tradições, sempre relacionadas com o acto de soprar. O-teu-pai-é-careca, para além de ser um outro nome pelo qual é conhecida, é também um jogo infantil que nos diz se o pai da criança a quem se faz esta pergunta é careca ou não. Consultando-a como um oráculo podemos ficar a saber quantos anos faltam para o casamento de alguém, se o casamento vai ser feliz, quantos filhos vai ter, quantos mais anos vai viver, etc. Consultando-a como um barómetro podemos ainda ficar a saber se vai chover. Para tudo isto basta apenas soprar. E interpretar os resultados, claro!
Em francês é conhecida pelo curioso nome de Pissenlit que, para quem não sabe, significa literalmente urinar na cama, numa alusão à sua actividade diurética.

A utilização medicinal do Dente-de-leão é muito antiga. O uso das folhas, como diurético, é muito anterior ao das raízes, boas para o fígado. Muito elogiado pelos antigos médicos árabes Rhazes e Avicena, nos séculos X e XI, foi também recomendado no herbário da escola de Myddfai, no País de Gales, no século XIII e referido em todos os bons tratados de botânica médica da Idade Média. No século XVI, Bock, importante botânico alemão, considerava-o um diurético, e Tabernaemontanus, médico e naturalista alemão, seu discípulo, considerava-o um vulnerário. Posteriormente o seu prestígio como erva medicinal parece ter decaído, mas no início do século XX o reconhecimento das suas propriedades medicinais foi tal que qualquer tratamento em que era utilizado se chamava taraxoterapia.

As flores de Dente-de-leão são melíferas
e as folhas são aprecidas pelos herbívoros
CM 1159 - Daroeiras / Entrada da Barca,
Odemira (Fevereiro de 2006)

O Dente-de-leão é também usado como alimento. As folhas tenras, colhidas na Primavera, são muito nutritivas e boas para saladas. Com elas pode-se fazer sopa e, depois de cozidas e reduzidas a puré, servem de acompanhamento. Os botões florais também são comestíveis e podem ser cozinhados como a Alcaparra.
As raízes de plantas com 2 ou 3 anos, secas, moídas e tostadas são utilizadas em substituição do café - à semelhança da Chicória-, beneficiando o fígado e a vesícula, aumentando a vitalidade e melhorando a concentração mental.
As flores são usadas para fazer vinho e bebidas alcoólicas fortes.
O Dente-de-leão encontra-se registado como aromatizante natural no Conselho Europeu.

Dente-de-leão, raízes e folhas

O Dente-de-leão cresce um pouco por todo o lado, ao longo de todo o ano
As suas folhas são em roseta basilar
R. Manuel Fiuza Júnior, Viana do Castelo (Janeiro 2008)

Parte utilizada
Raízes e folhas (partes aéreas), secas ou frescas (mais activas). As raízes deverão ser de plantas com dois ou três anos. O látex também é usado.


Composição
Em fitoterapia, os efeitos terapêuticos de uma planta resultam da sinergia dos seus constituintes. No entanto, a investigação realça os constituintes amargos (lactonas sesquiterpénicas, taraxacósido), compostos fenólicos (flavonóides e ácidos fenólicos), triterpenos e esteróis (fitosteróis e carotenóides), inulina e mucilagem, e potássio. São ainda de referir a pectina, os ácidos gordos (linoleico, linolénico, oleico e palmítico), aminoácidos (asparagina, tirosina), vitaminas (A, B1, B2, colina, C, D) e outros sais minerais (cálcio, ferro, silício, magnésio, sódio, zinco, manganésio, cobre, fósforo).

As raízes apresentam maior quantidade de constituintes amargos do que as folhas. As folhas são mais ricas em sais minerais do que as raízes.

Acções medicinais
Uso interno
Planta metabólica, actua em todo o aparelho digestivo e suas glândulas, estimulando e melhorando todo o metabolismo. Amarga, estimula a secreção de saliva e de suco gástrico, aumentando o apetite e favorecendo a digestão (tónico amargo digestivo). Colerética e colagoga, estimula a secreção de bílis pelo fígado e a sua evacuação da vesícula biliar para o duodeno, favorecendo a digestão das gorduras. Desintoxica, descongestiona e tonifica o fígado. Previne e facilita a dissolução de cálculos na vesícula biliar. Favorece o pâncreas endócrino, estabilizando os níveis de açúcar no sangue e prevenindo as suas flutuações. Depurativa, tem acção diurética, laxativa e sudorífica. A actividade diurética é dependente da dose, comparável a furosemida (Lasix), e ocorre sem perda de potássio. Ao aumentar a eliminação de líquidos contribui ainda para a perda de peso. Desintoxica e tonifica os rins. Previne e facilita a dissolução de cálculos renais e vesicais. Anti-reumática. Anti-inflamatória e protectora do tecido conjuntivo. Febrífuga e antiescorbútica.
As raízes têm maior actividade sobre o fígado e vesícula e as folhas como diurético.
Uso externo
Protectora, suavizante e estimulante sobre o tecido cutâneo.


Indicações terapêuticas
Uso interno
Como aperitivo na perda de apetite e anorexia. Como digestivo na dispepsia (enfartamento, flatulência, digestões lentas). Afecções hepáticas (sensibilidade à comida, mau funcionamento do fígado, fígado gordo, icterícia, hepatite, congestão hepática, insuficiência hepática). Afecções da vesícula e canais biliares (inflamação da vesícula e/ou das vias biliares, cálculos na vesícula, alterações do fluxo biliar). Excesso de colesterol, hemorróidas. Diabetes. Na desintoxicação geral do organismo, quando há infecções recorrentes, alergias, e especialmente, em tratamentos de fundo nas afecções da pele (acne, furúnculos, eczema, psoríase). Como diurético (limpeza das vias urinárias, edemas, hidropesia, prostatismo, obesidade acompanhada de retenção de líquidos, síndrome pré-menstrual, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, gota). Afecções dos rins, bexiga e vias urinárias (cálculos renais e vesicais, infecções urinárias, sífilis). Reumatismo. Obstipação. Como anti-inflamatório na colite, aliviando a dor, obstipação e diarreia.
Uso externo
Como suavizante da pele, para eliminar pontos negros e nas peles envelhecidas. Na remoção de calos e verrugas.


Pormenor das folhas de Dente-de-leão
Melgaço (Abril 2007)

Como tomar
Uso interno

Cozimento das raízes e/ou folhas: 1 a 2 colheres de chá por chávena de água, 3 minutos de fervura. Tomar 3 chávenas por dia, antes das refeições. Esta tisana pode ser precedida de uma maceração de 15 a 30 minutos.
Infusão das raízes e/ou folhas: 1 a 2 colheres de chá por chávena de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 3 chávenas por dia, antes das refeições.
Fazer tratamentos durante pelo menos quatro a seis semanas. Em tratamentos prolongados podem fazer-se 9 dias de tratamento seguidos de três dias de descanso.
Como aperitivo e como digestivo deve ser tomado na forma de tisana pois a sua acção deve-se ao sabor amargo que apresenta.
Como depurativo do sangue, na drenagem das vias urinárias e na sífilis pode ser associado à Chicória.
Nas afecções da pele pode ser associado à Bardana e à Equinácea.
Suco das folhas frescas: Tomar 2 a 3 colheres de sopa, uma vez por dia, durante 2 a 3 semanas. Para a extracção do suco, borrifar as folhas. O suco pode ser diluído em água.
Uso externo
Cozimento das raízes: 200 gramas por litro de água. Em banhos, lavagens e compressas.
Látex: Aplicar topicamente a parte inferior do talo da flor. Na remoção de calos e verrugas.

Receita: Salada com folhas de Dente-de-leão
           Folhas de Dente-de-leão
           Pétalas de Calêndula
           Flores de Borragem
Depois de lavar, colocar as folhas numa saladeira e enfeitar com as flores e as pétalas. Temperar a gosto.
Indicações: Na desintoxicação geral do organismo (cura primaveril).

Precauções
O Dente-de-leão é considerado de muito baixa toxicidade, podendo ser utilizado em tratamentos prolongados. No entanto, não se recomenda durante a gravidez e o aleitamento.
Contra-indicado na obstrução das vias biliares, sobretudo as raízes.
Pode causar hiperacidez e azia em pessoas sensíveis, devido ao seu conteúdo em constituintes amargos. Este efeito pode ser atenuado associando-se Alteia.
Pode provocar reacções alérgicas de contacto.
Devido à acção diurética, especialmente no caso das folhas, deve ter-se em atenção que pode causar descompensações em pessoas que tomam cardiotónicos ou sejam hipertensas.



Dente-de-leão, CM 1159 - Daroeiras / Entrada da Barca, Odemira (Fevereiro de 2006)

Observações
Em fitoterapia chinesa é utilizada uma planta aparentada, Pu Gong Ying, Taraxacum mongolicum, para eliminar calor e reduzir a toxicidade, sobretudo do fígado.

Sobre o Dente-de-leão, Taraxacum officinale Weber ex Wiggers, são ainda de referir as monografias da OMS (World Health Organization), planta inteira, ESCOP (European Scientific Cooperative on Phythoterapy), raízes e folhas, e Comissão E Alemã (da German Federal Office for Phytotherapeutic Substance), raízes e folhas.
É também utilizado em Homeopatia e em Terapia Floral (Florais da Califórnia).

Este blogue apenas pretende sensibilizar para a observação das plantas medicinais e divulgar a sua utilização, não tendo a intenção de promover a auto-medicação nem a colheita de espécies.